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17/04/2008

Entrevista à Drª Isabel Guerreiro, vereadora da cultura de Portimão

O nosso Objectivo: Saber de que forma o município tem sido influenciado pelas comunidades linguísticas nele existentes, e qual o apoio que lhes dá.

1- Confirma que o número de estrangeiros residentes no nosso município tem vindo a aumentar ao longo destes últimos anos?

R: Sim, principalmente oriundos do Brasil.

2- Muitos desses residentes criaram associações de sua própria comunidade. De que forma é que a autarquia auxilia essas associações em termos de infra-estruturas, apoios concedidos, etc? Acha que essas associações têm trazido benefícios para a cidade?

R: Apoios: financeiros, apoio técnico e logístico, instalações e cedência de transportes. Tem trazido muitos benefícios no geral, em termos de integração social.

3- Que infra-estruturas oferece a cidade para a realização de eventos organizados pelas comunidades estrangeiras?

R: Auditório, Portimão Arena, etc..

4- Poderá esta “mistura” de raças e culturas trazer alguma vantagem ou desvantagem para o desenvolvimento do município?

R: Vantagem, mão de obra qualificada e disponível para trabalhar em todas as áreas no Sector da Industria Hoteleira e outras.

5- Acha que o município tem sido influenciado pelas várias comunidades linguísticas nele existentes? Se sim, como?

R: Sim, através da Multiculturiedade.

6- Existem escolas em Portimão com alunos de várias nacionalidades. O que tem a dizer acerca disto? De que forma é que estes são ajudados na sua vinda para cá?

R: No Município de Portimão existem escolas que têm alunos provenientes de 20/30 nacionalidades diferentes. De acordo c/ informações prestadas pelos Estabelecimentos de Ensino tem sido positivo quer para os alunos do Município porque tem sido uma partilha de experiências diferentes e enriquecedoras do interesse de ambas as partes. Cada escola tem arranjado a sua estratégia para uma melhor integração dos alunos estrangeiros proporcionando o melhor acolhimento a estes alunos quer na escola quer a nível social (fora de escola). Existem escolas que criaram a figura do aluno tutor (de nacionalidade portuguesa) que vive próximo do aluno estrangeiro, que ao fim de semana é responsável por levá-lo ao cinema, a um concerto ou a uma outra actividade cultural, para que a sua integração também seja efectuada a nível social.

15/04/2008

Entrevista à Presidente e Vice-Presidente do Agrup. Vertical de Escolas Júdice Fialho - prof.ª Elisa Barreiras e prof.ª Fátima

1 - Com o passar dos anos tem havido um aumento ou uma diminuição do nº de imigrantes que frequentam a sua escola? Na sua opinião a que se deve isso?
Prof.ª Elisa: Houve um aumento muito significativo e deve-se sobretudo à imigração dos habitantes dos países de leste para a Europa ocidental decorrente das necessidades de trabalho e à livre circulação dos cidadãos na sociedade, tanto aqui nesta escola como na do primeiro ciclo, ambas as escolas receberam mais alunos estrangeiros nestes últimos anos.

2 – Costuma aceitar bem a vinda de alunos estrangeiros para esta escola ou tende a ser selectiva quanto ao tipo de imigrantes que aceita?
Prof.ª Elisa: Não se pode ser selectivo, a escola é para todos, dado que é uma escola pública. A escola só não aceita mais alunos quando não existem mais vagas para estes, quando surge essa situação encaminhamo-los para outra escola da zona. A explosão demográfica aqui em Portimão é muita. No primeiro ciclo existem turmas de 24 a 25 alunos e no segundo e terceiro ciclo há uma turma do 5º ano que chegou aos 30 alunos.

3 - Quantas nacionalidades diferentes existem na escola?
Prof.ª Elisa: Várias, nesta escola existem alunos moldavos, ucranianos, russos, romenos, brasileiros, cabo-verdianos, angolanos, cubanos, etc.. Mas os que predominam são os cabo-verdianos e a seguir os ucranianos.

4 - Qual a comunidade linguística que mais se destaca? Porquê?
Prof.ª Elisa: Os alunos de leste. Na sua maioria são muito empenhados e lutam para conseguirem superar todas as suas dificuldades.

5 - Acha o desempenho desses alunos bom ou mau?
Prof.ª Elisa: Há de tudo um pouco, temos um caso de uma aluna moldava que se aplica bastante e que tem neste momento media de 5 a todas as disciplinas.

6- Que tipo de apoio fornece aos imigrantes relativamente à sua aprendizagem e adaptação?
Prof.ª Fátima: Há um despacho, um normativo que permite a estes meninos ter um acompanhamento, no primeiro ciclo eles têm no mínimo 90 minutos semanais de apoio extra lectivo e no segundo ciclo têm já um apoio também extra lectivo na área da língua portuguesa, o chamado – português para estrangeiros. Neste momento temos cerca de 157 alunos a nível de agrupamento desse apoio.

7- Como acha que tem sido a adaptação dos alunos estrangeiros na escola?
Prof.ª Fátima: Adaptam-se muito bem, eles depois têm tendência em agrupar-se. Principalmente os alunos de leste que são muito determinados, quando têm dificuldades em termos de língua tentam superá-las.

8 - Na sua escola existe algum projecto onde as outras comunidades estrangeiras estejam inseridas?
Prof.ª Elisa: Não, mas há cerca de um mês a turma do 7º B fez um jantar inter cultural para os alunos da turma e para os seus pais, esse jantar surgiu devido ao projecto da direcção de turma. Os alunos confeccionaram comidas próprias de cada país e conviveram entre si.

13/04/2008

Entrevista ao presidente da associação cabo-verdiana - sr. Avelino Varela




1- Porque motivo decidiu viver em Portugal?
Não fui eu quem decidiu, primeiro veio o meu pai trabalhar para cá, na medida em que pudéssemos melhorar as nossas condições de vida, mais tarde acabei por vir para Portugal com a minha mãe e os meus irmãos e ficamos cá a morar.

2- Há quanto tempo vive em Portimão?

Há 35 anos.

3- Como foi a sua adaptação?
Foi simples, pois quando cheguei já estava no 2º ano, no ciclo. Fui estudar para a escola D. Martinho Castelo Branco, onde encontrei um ex-colega que também tinha estado em São Tomé e Príncipe. Encontrávamo-nos os dois numa turma muito boa e bastante unida, o que facilitou a minha adaptação a um novo país.

4- O que o levou a criar esta associação?
Quando saia à noite com o meu grupo de amigos, nunca tínhamos em Portimão um local que passasse músicas africanas, nem que existisse convívio entre africanos, tínhamos de ir para outras cidades. Foi ai que surgiu a ideia de criar esta associação, pedi apoios, que inicialmente foram recusados, até que 9 anos mais tarde apareceu o projecto de realojamento do barranco do Rodrigo.
A associação formou-se em 1999 e como a minha escolaridade era baixa tive de fazer o 6ºano.

5- Teve alguma ajuda da câmara municipal?
Sim, a Câmara Municipal forneceu-nos o local para a criação da associação, inicialmente no lugar do Barranco do Rodrigo.

6- Acha que tem ajudado a sua comunidade linguística através da associação que criou?
Acho que tenho ajudado, não em termos de língua, já que é a mesma, mas sim em realojamentos e assuntos relacionados com a escola e com a formação.

7- Quais os projectos que pretende desenvolver com a associação?
Vários, entre eles a criação de cursos. Futuramente, irão existir novos cursos na área da informática e hotelaria.

8- Costuma a encontrar-se com membros de outras comunidades? Se sim, onde?
Depende, normalmente encontrámo-nos com outros membros em Lisboa, Setúbal, Loulé e Quarteira. Estas câmaras municipais promovem formações, palestras sobre imigrantes, nelas as diferentes comunidades vão falar, dançar, ou seja, passar um bom bocado juntos e conviver entre si.

9- É difícil a adaptação dos estudantes da sua comunidade nas escolas portuguesas? Que tipos de apoio é que as escolas e a câmara municipal lhes concedem?
Não é muito difícil, pois a língua é a mesma e a escolaridade é equivalente. Os estudantes da minha comunidade têm ajuda através do protocolo da autarquia.

10- Os imigrantes têm muita dificuldade em encontrar emprego quando vêm para cá?
Acho que não, os imigrantes são ajudados. O mais difícil de tudo é a legalização e às vezes como os imigrantes não se encontram legais, os patrões demoram bastante tempo a pagar-lhes o ordenado

11- Em que profissões é que esses imigrantes se destacam?
Profissões ligadas ao ramo hoteleiro e construção civil.

12- Acha que se devia de alterar certos aspectos para uma melhor inserção dos imigrantes na sociedade ?
Na minha opinião, o governo deveria simplificar a documentação para a legalização dos imigrantes, dado que esse é um processo complicado.

03/03/2008

Entrevista à associação C.A.P.E.L.A


Objectivo da entrevista: obter informações sobre as várias comunidades linguísticas e sobre o seu modo de vida em Portimão.


1- Porque motivo decidiu viver em Portugal?
Decidiram vir por notarem que se vive bem devido ao Algarve ser uma zona turística, ter um clima bastante agradável e existirem diversas áreas de trabalho.

2- Há quanto tempo vive em Portimão?
A senhora Ludmila encontra-se em Portimão à 7 anos, veio em 1990 para Portugal. Por sua vez, a senhora Liliana é residente em Portimão há menos tempo, veio em 2001 e está cá à 5 anos.

3- Como foi a sua adaptação?
O tipo de adaptação depende de cada pessoa. Para a senhora que veio para Portimão mais tarde, a adaptação foi muito fácil, apesar do horário e o clima serem diferentes. Esta senhora chegou no Inverno e estava um dia de sol, o que lhe agradou imenso. Gostou muito do sol e de ter recebido o calor das pessoas, que lhe ajudaram a aprender a língua, apesar de nem sempre a corrigirem. Arranjar trabalho foi fácil, pois procurava qualquer coisa mesmo tendo estudos académicos.
Por sua vez, a senhora que chegou mais cedo, também chegou em Dezembro mas não lhe agradou o clima, dado de que não gosta de calor. Também achou fácil arranjar emprego, mas passou de gerente de um banco (era a sua profissão no país de origem) a empregada de limpeza ( profissão que exerceu em Portimão).
Ambas agarraram um emprego para assegurarem a sua vida e partilham a mesma opinião acerca do facto de ser difícil a forma de falar.

4- O que levou a criar esta associação?
Quem criou a associação foram pais/ professores cujos filhos foram os primeiros a ser integrados nas escolas. Devido aos problemas que tiveram de enfrentar e por terem ajudado os seus filhos a integrar-se. Nesta associação os emigrantes do leste são ajudados em qualquer dúvida que tenham, é-lhes dado informações sobre finanças, legalização, segurança social, emprego, escola, etc. A associação fornece um atendimento completo.

5- Obteve alguma ajuda da câmara municipal?
Sim, a câmara municipal forneceu o edifício desde 2003. É nesse edifício onde atendem as mais variadas pessoas de todas as repúblicas do leste.

6- De que forma sente que é influenciado/a no seu dia-a-dia através da nossa cultura?
Ambas têm uma opinião unânime no que toca á forma como são influenciadas. Consideram-se pessoas muito abertas e acham que aceitar a cultura portuguesa é bom para crescerem como pessoas. Quanto á gastronomia, no princípio não gostaram logo de tudo, mas com o passar do tempo começaram a habituar-se e agora já comem de tudo. Aceitaram a nossa cultura visto que festejam os feriados da nossa cultura e da deles. Festejam os nossos feriados nacionais, Páscoa, natal, passagem de ano etc.
Quando podem esforçam-se por mostrar a cultura do seu país. Isto confirmou-se na expo-social que ocorreu em Portimão em Janeiro deste ano.

7- Acha que tem ajudado a sua comunidade linguística através da associação que criou?
Sim, esta associação tem sido procurada por todo o Algarve. Proporcionam explicações e aulas de português e inglês para adultos e crianças. Também têm aulas de dança constituídas por 3 níveis.

8- Costuma encontrar-se com membros de outras comunidades? Se sim, onde?
Sim, encontram-se com associações como, “eindistebra” de Setúbal, “casa da música” e “casa do Brasil” de Lisboa, “cabo-verdiana” do Algarve, “centro cultural moldavo” em Lisboa entre outras. Recentemente marcaram encontro com a associação guineense. Encontram-se em locais como o 2º fórum de Setúbal que são 3 dias e no parlamento pelo convite do presidente da república.

9- É díficil a adaptação dos estudantes da sua comunidade linguísticas nas escolas portuguesas? Que tipo de apoio é que as escolas e a camâra municipal lhes concedem?
Não é fácil, existe uma barreira linguística, e algumas escolas acabaram com as aulas de apoio, o tipo de apoio que existe nem sempre é o mais apropriado visto que limitam-se a ensinar palavras em vez de ensinaram a forma de falar. A câmara municipal oferece bolsas sociais a famílias carenciadas e para isso os pais têm de preencher requisitos.

10- Os emigrantes têm muita dificuldade em encontrar emprego quando vêm cá? Em que profissões se destacam?
Ao virem para cá é díficil encontrarem emprego de acordo com as habilitações literárias que têm do seu país de origem. Apesar de alguns emigrantes terem cursos universitários, procuram emprego em todas as áreas e raramente lhes é dado um emprego de acordo com os seus estudos. Conseguir isso é muito trabalhoso porque há muitas etapas que têm de ultrapassar, como por exemplo as equivalências. Para a maioria dos homens, o emprego que rende mais é trabalhar nas obras, visto ser um emprego que ocorre durante o ano inteiro. A maioria das mulheres, acaba por trabalhar em hotelaria, embora não se contentem com isso, pois muitas vezes são empregos que só são garantidos no verão. No geral todos procuram um emprego que seja estável.

11- Ao chegar a um novo país, os estrangeiros têm tendência para formar grupos em que se inserem pessoas da mesma nacionalidade. Para si, quais são os motivos a que se deve essa formação de grupos?
Essa formação de grupos da mesma comunidade linguística muitas vezes deve-se ao facto dessas pessoas não saberem a língua , as leis, lidar com certos assuntos, etc. E também a uma simples necessidade de troca de informações, ao que eles chamam de “correio cigano”.

12- Acha que se devia alterar certos aspectos para uma melhor inserção dos emigrantes na sociedade?
As dirigentes consideram que a sociedade podia fazer ainda mais. Pensam que o estado não gastou dinheiro em formar pessoas do leste, não se preocupa em adaptar os cursos. Pensam ainda que o estado podia fazer uma avaliação para uma mais valia do povo português.

Curiosidades:


• A associação já trabalha muito bem e no ano de 2007 obteve 6.000 atendimentos;
• O seu logótipo são duas mãos dadas; para a equivalência de cursos gasta-se mais de 1.000€;
• ao virem para cá os emigrantes tentam agarrar a primeira proposta de trabalho para assegurar a sua vida;
• no geral todos os emigrantes desta comunidade linguística acham difícil a compreensão da língua.

Quem somos?

Os heterónimos
Aurora Offermans, Joana Nunes, Nicole Alegre e Pedro Marrachinho - somos um grupo de alunos da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes - Portimão, da disciplina de Área-Projecto, turma E do 12.º ano e estudantes do Curso de Línguas e Literaturas.

O nosso objectivo?

Através deste projecto pretendemos mostrar à comunidade portimonense de que forma as várias comunidades linguísticas presentes no município contribuem para o seu desenvolvimento e como estas também são influenciadas pela nossa cultura.